É este o Apocalipse para o JavaME?

Open Handset AllianceA não ser que você esteja morto — ou vivendo na selva com sua amiga bola-de-vôlei — você provavelmente deve ter visto que ontem foi lançada a SDK do projeto Android, cuja idéia é fornecer a primeira plataforma móvel aberta. O Android é um projeto que, apesar de estar dando os primeiros passos rumo ao seu objetivo, conta com nomes de peso a seu favor; a Open Handset Alliance, grupo de mais de 30 empresas de tecnologia envolvidas no Android, promete inovar o cenário e melhorar a “experiência móvel” dos usuários.

Confesso que a notícia me deixou curioso. Por isso, eu aproveitei para fazer o download da SDK, instalei o ADT no meu Eclipse e segui alguns dos tutoriais apresentados na documentação. Apesar de ter gostado do negócio, posso dizer que não há muitas novidades em termos tecnológicos. A grande sacada se concentra no direcionamento dessa iniciativa.

Voltando um pouco no tempo, quando o JavaME surgiu, obviamente a situação era bem diferente: os dispositivos eram caros e extremamente limitados. Não conheço muito bem tudo o que aconteceu entre o lançamento do JavaME e seu boom, mas o resultado todo mundo conhece; dezenas de milhões de dispositivos Java-enabled circulando pelo mundo. A máquina virtual Java, ainda que “capada”, possibilitava que desenvolvedores pudessem rapidamente adaptar seus conhecimentos e produzir aplicações capazes de rodar nesses pequenos aparelhos. Ou seja, foi um tremendo sucesso.

Ou quase.

AndroidA questão do “menor denominador comum” começou a deixar muita gente p*ta da vida, levando os fabricantes a disponibilizarem SDKs para seus dispositivos. Já que o JavaME puro não permitia que os desenvolvedores pudessem aproveitar melhor os recursos específicos a um ou outro aparelho, bastava usar tais SDKs, mesmo que isso levasse a uma dependência que ia de encontro aos objetivos do próprio JavaME.

Voltando ao assunto inicial desse post… o Android, por sua vez, se aproveita desse momento de “abundância tecnológica” para seguir num caminho diretamente oposto; enquanto que o JavaME buscava criar uma fundação capaz de rodar em um grande número de pequenos dispositivos, o Android busca reunir o que há de mais avançado em termos de tecnologia móvel de modo a fornecer uma melhor experiência aos usuários. E claro, o Android em si pode ser visto como o resultado de um trabalho de padronização de plataforma móvel — algo até nos moldes do JavaME — mas com um outro direcionamento, algo alinhado à nossa “futura realidade”. E quer saber? Eu gostei!

O que acontecerá com o JavaME? Será seu fim? Apesar dos pesares, o JavaME ainda é útil e, portanto, não sumirá tão cedo. Ao contrário do que muitos acreditam, ele não se resume apenas a celulares; existem também uma porrada de outros dispositivos que, apesar de (ainda) limitados, abrem um leque interessante de possibilidades. A TV digital é um bom exemplo desse tipo de dispositivo.

Mas, de qualquer forma, será bem interessante ver a movimentação do pessoal da Open Handset Alliance. Na minha opinião, o mais difícil — que é montar um grupo cheio de gente competente — já foi feito. O resto é conseqüência.

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